A falta de integração entre sistemas de venda de ingressos, sócio-torcedor e biometria restringe o potencial comercial dos clubes brasileiros, afirma Raphael Ozawa, CTO da FutebolCard. O executivo diz que a tecnologia para unir esses dados já está disponível, sendo o obstáculo atual de ordem administrativa.
Com os dados consolidados, os clubes conseguem mapear hábitos do torcedor, como frequência ao estádio e perfil de consumo. Essa informação permite direcionar ofertas de ingressos e produtos. Ozawa declarou que a tecnologia alcançou o estado da arte para essa integração, sendo a decisão administrativa o fator limitante.
A adoção de biometria e novos controles ampliou a capacidade de identificar o público. Antes, o ingresso funcionava como um tíquete simples. Com a identificação, é possível ser hiperpersonalizado e prever desejos do torcedor. Ozawa frisou que o tratamento desses dados exige cuidado com a privacidade, pois identificação facial pode ser usada apenas para confirmar a entrada.
A monetização pode ser expandida pela combinação de vendas. Em um exemplo citado, a análise de dados de uma partida permitiu identificar a oportunidade de vender camisas da Seleção Brasileira durante o processo de compra do ingresso. Além disso, dados históricos ajudam a estimular o retorno de torcedores que deixaram de comparecer.
O avanço na monetização encontra barreiras na fragmentação dos fornecedores. Um torcedor pode interagir com empresas distintas para ingressos, sócio-torcedor e biometria, e esses sistemas nem sempre se comunicam. O executivo avaliou que o mercado brasileiro ainda fica atrás do futebol europeu nesse aspecto de gestão e tecnologia.


