Um ex-paciente de uma clínica neuropsiquiátrica em Alfenas, Minas Gerais, denunciou ter sido forçado a comer comida jogada no chão com fezes. A instituição, alvo de operação do Ministério Público, também é investigada por maus-tratos, cárcere privado e um caso de estupro envolvendo adolescentes.
Durante a ação do Ministério Público, sete homens, com idades entre 27 e 48 anos, foram encontrados em condições precárias. Segundo as investigações, os indivíduos estavam confinados em cômodos com fezes espalhadas pelo chão e apresentavam sinais de debilidade física. Os fatos apontam para crimes de maus-tratos, sequestro e cárcere privado.
Relatos de antigos internos descrevem episódios de violência física e humilhação. Um ex-interno afirmou ter sido espancado em um quarto onde havia fezes e urina. Ele relatou ter passado a noite em um cômodo molhado, sobre piso frio, e que a alimentação era degradante.
O Conselho Tutelar também acompanha uma denúncia de março deste ano sobre suposto estupro e coerção envolvendo dois adolescentes internados. A conselheira tutelar Valéria Aparecida da Silva disse que o caso é complicado e que um dos adolescentes pediu ajuda para sair da instituição.
Atualmente, a clínica mantém 24 adolescentes, e 121 pessoas, com idades entre 30 e 45 anos, continuam internadas, segundo o comitê de crise da Prefeitura de Alfenas. O médico responsável e proprietário da clínica foi preso, mas recebeu alvará de soltura no mesmo dia.

