Uma equipe internacional de cientistas cultivou organoides de cérebro humano por cinco anos em laboratório, um feito que permite aos pesquisadores observar o desenvolvimento cerebral em estágios prolongados. O estudo, publicado na revista Nature, demonstra que o envelhecimento biológico dessas estruturas corresponde ao tempo em que permaneceram in vitro.
O desenvolvimento do cérebro humano leva décadas, um processo marcado pela formação contínua de conexões entre redes neurais. Modelos cultivados a partir de células-tronco humanas, chamados organoides, permitiram estudar essas mudanças, mas antes estavam limitados às fases iniciais de desenvolvimento. A nova pesquisa, liderada pela pesquisadora Paola Arlotta, da Universidade de Harvard, buscou superar o recorde anterior de 694 dias estabelecido em 2021 por pesquisadores de UCLA e Stanford.
Para o experimento, os cientistas cultivaram trinta e quatro organoides, sequenciando seu RNA a cada seis meses durante os cinco anos. Os achados indicam que os organoides percorreram quase toda a sequência de desenvolvimento dos cérebros humanos durante a gestação e os primeiros anos de vida. As células demonstraram capacidade de registrar os passos do desenvolvimento ao longo do tempo.
A assistente professora Irene Faravelli, da Universidade de Milão, comentou que, com os organoides, os cientistas avançaram dos processos iniciais para estágios mais tardios do desenvolvimento cerebral, que são difíceis de acessar no corpo humano. A equipe planeja agora buscar métodos para acelerar esse processo de maturação, o que Arlotta chamou de capacidade de “salto no tempo”.

