O Disque 100 contabilizou dois mil, setecentos e setenta e quatro denúncias de intolerância religiosa no período de janeiro de 2025 a janeiro de 2026. A Umbanda lidera os registros, com duzentos e vinte e oito casos, seguida pelo Candomblé, segundo informações de Pai Rodrigo Queiroz.
Pai Rodrigo Queiroz, sacerdote de Umbanda, filósofo e pesquisador, explica que a violência contra tradições afro-brasileiras ocorre na lacuna entre o reconhecimento público e a convivência diária. Ele afirma que o reconhecimento cultural não equivale a política de proteção, pois “o título entra no papel e o terreiro continua sozinho na rua”.
O levantamento “Respeite o meu Terreiro”, feito pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania em parceria com a Renafro e a UniRio, mostra que setenta e seis por cento dos terreiros envolvidos sofreram racismo religioso. O estudo também indicou que oitenta por cento dos integrantes desses terreiros foram vítimas diretas de agressões.
O pesquisador aponta que a hostilidade se manifesta de várias formas, incluindo a “tolerância de distância”, onde a prática é aceita apenas se estiver longe da vizinhança. Ele atribui parte disso ao “analfabetismo religioso”, a incapacidade de compreender fenômenos culturais diversos. A Lei 10.639, de 2003, tornou obrigatório o ensino da cultura afro-brasileira, mas o conhecimento sobre as tradições ainda é limitado.
Em Goiânia, o sacerdote recorda que hostilidade já existia, citando um protesto de igrejas neopentecostais contra uma exposição de Orixás em 2003. Atualmente, o Museu Antropológico da Universidade Federal de Goiás abriga peças sagradas cedidas por dezesseis terreiros da capital.


