A imagem do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses vista do espaço, divulgada pela NASA, gerou a definição de local como um “deserto feito de água”. Contudo, o parque não se enquadra nessa classificação devido ao seu regime de chuvas e à presença de lagoas de água doce.
Apesar da semelhança visual com regiões desérticas, o Lençóis Maranhenses recebe cerca de 125 centímetros de chuva anualmente. Este volume é superior ao registrado em Seattle, nos Estados Unidos, e cerca de duas vezes o de Londres, na Inglaterra. Um estudo da Fapesp aponta que o parque pode receber até 2 mil milímetros de chuva em alguns períodos, o que é considerado alto para ambientes desérticos.
O oceanógrafo Denilson Bezerra, professor da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), explicou que a paisagem resulta da interação entre areia, vento e precipitação. Segundo o pesquisador, a chuva infiltra na areia, enchendo o lençol freático. Essa dinâmica constante condiciona a formação das dunas no parque.
A expressão da NASA refere-se ao aspecto visual: extensas áreas de areia branca que abrigam milhares de lagoas. Mais de 90% das chuvas ocorrem entre janeiro e julho. Nesse período, a água eleva o lençol freático, criando lagoas temporárias entre as dunas. Durante a seca, as lagoas diminuem ou desaparecem.
O parque, maior campo de dunas da América do Sul, possui 1.500 quilômetros quadrados e é reconhecido como Patrimônio Natural da Humanidade pela UNESCO. Ele está situado em uma zona de transição dos biomas Cerrado, Caatinga e Amazônia.

