A entrada de Pablo Marçal na disputa presidencial pode gerar ruído e novos confrontos dentro da direita brasileira. Contudo, analista da XP, Paulo Gama, afirmou que a candidatura não deve ameaçar a polarização entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro neste momento.
Gama, que atua como head de análise política da XP, comentou o cenário durante o Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, na sexta-feira (21). Ele observou que Marçal chega à disputa com ativos como milhões de seguidores nas redes sociais e experiência em campanhas, citando o período da eleição municipal de São Paulo em 2024.
O analista pontuou que a dinâmica atual difere de 2024. Naquela ocasião, Marçal disputou o eleitorado bolsonarista contra Ricardo Nunes, que possuía apoio de Jair Bolsonaro. Atualmente, Flávio Bolsonaro representa o grupo político com o sobrenome do pai e foi escolhido por ele para a corrida presidencial.
Segundo Gama, essa característica dificulta a estratégia de um adversário que tente se posicionar como mais fiel à direita ou antissistema que o candidato do PL. Ele avaliou que o alcance digital de Marçal pode interferir em debates e forçar adversários a responder a ataques, mas o impacto não deve ser uma transferência expressiva de votos.
Gustavo Bonini Guedes, advogado especialista em direito eleitoral, concordou com a baixa probabilidade de sucesso nacional da estratégia de Marçal. Guedes afirmou que o eleitorado capturado por Marçal em 2024 hoje encontra representação direta na candidatura de Flávio. A viabilidade da candidatura de Marçal, no entanto, ainda aguarda análise do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

