A historiadora do judaísmo Anna Foa condenou a marcação de prisioneiros palestinos com números escritos na testa, realizada pelo exército israelense na Cisjordânia. Segundo a pesquisadora, as imagens documentam a desumanização dos detidos e fazem uma referência evidente às práticas nazistas nos campos de extermínio durante a Shoah.
Foa afirmou que a ação não foi cometida por colonos, mas por uma instituição oficial do governo. A historiadora explicou que a marcação com caneta hidrográfica, embora diferente da tatuagem feita nos braços de judeus no passado, busca inverter a posição de controle e despojar a vítima de sua identidade.
A apuração indica que este não é um caso isolado. Em abril, ocorreu episódio semelhante com mulheres palestinas que haviam recebido autorização para retornar a Jenin para recuperar pertences pessoais. Na ocasião, o governo negou o ocorrido por considerá-lo incompatível com os padrões do exército.
A historiadora relacionou a prática a declarações recentes do ministro da Segurança Nacional de Israel, Ben Gvir. O ministro defendeu a realização de assassinatos seletivos em Gaza, com a eliminação de 30 a 40 pessoas todas as noites, afirmando que há indivíduos no local que não merecem viver.
Para Foa, tais atitudes contrariam a ética judaica e o direito internacional. A pesquisadora argumentou que a negação dessas evidências por parte de judeus da diáspora alimenta sentimentos antissemitas ao ignorar que as ações nos territórios ultrapassaram os limites da razoabilidade.
A análise aponta que a presença de religiosos extremistas nas fileiras do exército condiciona a ocorrência de aberrações como a marcação de pessoas. A historiadora manifestou a expectativa de que as eleições de outubro possam derrubar o governo de Benjamin Netanyahu e interromper as manifestações de fanatismo.

