A abordagem proativa sobre a menstruação com crianças, independentemente do gênero, é a principal estratégia para evitar que a puberdade seja encarada como um processo negativo. Segundo especialistas, a educação sexual deve ocorrer antes que os primeiros sinais biológicos surjam, reduzindo inseguranças em meninas e prevenindo comportamentos de zombaria entre meninos.
A pesquisadora Caroline Arcari afirma que menstruar não significa que a criança “virou mulher”. Para a especialista, uma menina de nove anos que inicia o ciclo continua sendo criança, embora seu corpo tenha entrado em uma etapa de maturação fisiológica que não implica prontidão emocional ou reprodutiva.
A recomendação é que a explicação não se limite à fertilidade. Arcari explica que os hormônios da puberdade atuam no crescimento, na saúde dos ossos e no metabolismo. A menstruação deve ser apresentada como a eliminação do tecido interno do útero, o endométrio, junto ao sangue, sem a classificação de “sangue sujo”.
A especialista sugere que a abordagem inclua aspectos positivos, como o uso de células do sangue menstrual em pesquisas científicas de regeneração de tecidos. No campo prático, orienta que as meninas sejam ensinadas a usar absorventes e a montar kits de higiene para a escola, antecipando possíveis vazamentos ou cólicas para evitar que situações inesperadas sejam vistas como catástrofes.
A educação sexual também deve ser direcionada aos meninos. De acordo com a apuração, ensinar garotos sobre o funcionamento do corpo feminino ajuda a prevenir o nojo e a humilhação. A orientação é que eles aprendam que a menstruação é um processo normal e que manchas de sangue na roupa de colegas não são motivo de piada.
A psicóloga Carol Petrolini observa que muitas mulheres cresceram sob tabus e silenciamentos, escondendo absorventes por medo de exposição. Petrolini afirma que a percepção de que meninas ainda associam a menstruação a algo negativo motivou a criação de materiais educativos para transformar a menarca em uma experiência acolhedora.


