A falta de mão de obra qualificada tornou-se o principal gargalo operacional do agronegócio brasileiro, segundo pesquisa da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e do Cepea/Esalq/USP. O estudo revela que 44,5% dos produtores consideram a disponibilidade de trabalhadores o maior problema atual do setor.
A dificuldade de contratação atinge 94,8% das propriedades rurais do País, resultando em quadros de funcionários insuficientes para 84,3% dos produtores. O impacto na produção é sentido por 88,3% dos empregadores, manifestando-se em atrasos nas operações (48,7%), desistência de planos de expansão (48%) e redução direta da produção (42%).
Para mitigar a crise, 42,6% dos produtores anteciparam a automação ou mecanização de seus processos. Bruno Lucchi, diretor técnico da CNA, explicou que esse movimento é uma resposta direta à escassez de pessoal, e não a causa do problema. Nos últimos 30 anos, a produtividade do trabalho na agropecuária subiu 515%, superando os 28% de crescimento da economia geral.
A redução da oferta está ligada à urbanização e ao maior nível de instrução. Entre 2012 e 2025, o número de trabalhadores rurais com ensino médio completo cresceu 114%, enquanto os com ensino superior subiram 155%. Para atrair profissionais, os salários do agro cresceram 35% entre 2021 e 2025, ritmo superior aos 24,8% registrados em outros setores.
O levantamento aponta a influência de auxílios sociais na contratação. Cerca de 83% dos produtores sentem efeitos de programas como o Bolsa Família, e 63,2% relataram recusas de vagas formais por medo de perda do benefício. Pesquisadores do Insper sugerem a criação de regras de transição gradual para evitar a migração para a informalidade.
Em Goiás, o setor emprega 1.108.215 pessoas, o que representa 28,6% dos ocupados no estado, conforme dados do Instituto Mauro Borges (IMB) do quarto trimestre de 2025. O segmento de serviços concentra 40,6% das vagas, seguido pelo primário, com 23,6%. Na soja, houve queda de 43% nos postos de trabalho no último ano devido a problemas climáticos.
A formalização do trabalho em Goiás cresceu, com o número de empregos formais subindo de 579,5 mil para 619,4 mil entre 2024 e 2025. O estado registrou também aumento na participação feminina, que agora ocupa 36,4% das vagas, totalizando 403,1 mil mulheres no setor.

