Recursos destinados pelo Ministério da Saúde ao laboratório da Universidade Federal de Goiás (UFG) são insuficientes para atender à demanda de exames genéticos da doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ), segundo o professor Carlos Eduardo Anunciação. O pesquisador afirma que a falta de ampliação do financiamento pode atrasar diagnósticos e interromper estudos sobre a enfermidade.
A DCJ é a doença neurodegenerativa rara diagnosticada no influenciador Lito Sousa, de 59 anos. O caso ganhou repercussão após a família informar, no dia 21 de agosto, que ele perdeu parte dos movimentos, embora permaneça lúcido, e busca tratamentos experimentais.
Desde setembro de 2023, o Laboratório de Diagnóstico Genético e Molecular (LDGM) e o Laboratório de Oncogenética e Genética Médica (Logen), ambos do Instituto de Ciências Biológicas da UFG, integram a rede de investigação coordenada pela Coordenação-Geral de Laboratórios de Saúde Pública (CGLAB) do Ministério da Saúde. As unidades analisam o gene PRNP para diferenciar casos hereditários dos esporádicos.
Entre 2024 e 2026, a UFG recebeu 25 amostras de pacientes. Dessas, 23 foram encaminhadas de fora de Goiás, representando 92% do total. Dezesseis amostras vieram do Ceará e sete de Pernambuco, enquanto apenas duas foram enviadas por Goiás. Para Anunciação, o volume reduzido evidencia que a rede nacional ainda está em processo de implementação.
O professor informou que os exames são caros e o financiamento atual não acompanha a expansão da rede, especialmente com a chegada de amostras via Laboratórios Centrais de Saúde Pública (Lacens) de outros estados. Atualmente, cinco das 25 amostras recebidas seguem em processamento, com prazo médio de conclusão de 30 dias.
A doença provoca deterioração neurológica rápida, com sintomas como perda de memória, tremores e demência progressiva. Segundo o Ministério da Saúde, 90% dos pacientes morrem em um ano após o início dos sintomas. Não há cura, e a assistência foca no controle de sintomas e suporte aos familiares.
O Ministério da Saúde não respondeu aos questionamentos até a publicação desta reportagem.

