O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (27) que a Rússia não pretende atacar países-membro da Otan. A declaração minimiza relatos da imprensa americana de que o diretor da Agência Central de Inteligência (CIA), John Ratcliffe, teria viajado secretamente a Moscou para alertar o governo russo contra ofensivas aos aliados.
Trump classificou a viagem do chefe da CIA como uma visita de semirrotina e negou que a ida de Ratcliffe estivesse relacionada a ameaças russas. O presidente disse que mantém boas conversas com Vladimir Putin. O Kremlin, por meio do porta-voz Dmitri Peskov, chamou as informações de histórias alarmistas e afirmou que a versão não condiz com a realidade nem com as intenções da Rússia.
A apuração de agências internacionais indica que autoridades americanas temiam que Putin, pressionado pela guerra na Ucrânia, pudesse lançar ações agressivas contra aliados europeus. O foco da preocupação estaria em países bálticos, com a possibilidade de ataques cibernéticos ou incursões de pequena escala.
Aliados da Otan denunciaram comportamento agressivo de Moscou nos últimos meses. Entre os episódios citados estão a identificação de drones com explosivos em aeroportos da Alemanha e a queda de um projétil em área rural da Polônia, o que exigiu a mobilização de jatos caça para proteger espaços aéreos orientais.
O governo russo criticou a entrega de tecnologia de mísseis de longo alcance do Reino Unido para Kiev. Segundo Moscou, a medida do primeiro-ministro Keir Starmer representa uma participação direta de Londres na guerra e dificulta processos de paz.
Tanto Washington quanto Moscou negaram que Ratcliffe tenha se reunido com Putin, afirmando que a agenda do diretor da CIA incluiu apenas contrapartes. A última visita de um chefe da Inteligência dos EUA à capital russa ocorreu em novembro de 2021, durante a gestão de Joe Biden.

