O banco Morgan Stanley projetou, em relatório publicado nesta semana, um cenário pessimista para 2027 com o dólar a R$ 6,00 e o Produto Interno Bruto (PIB) com crescimento de apenas 0,2%. A análise vincula esses índices à ausência de ajustes fiscais após as eleições de outubro, em disputa entre o presidente Lula e Flávio Bolsonaro.
No cenário negativo, a instituição prevê a taxa Selic em 15,50% e o Ibovespa em 130 mil pontos. Os economistas do banco afirmam que o mercado subestima os riscos do pleito, que apresenta programas econômicos divergentes: a manutenção do arcabouço fiscal e a ampliação do Estado contra a expectativa de regras mais rígidas, privatizações e cortes de ministérios.
A análise aponta que a rigidez do Orçamento, com mais de 91% dos gastos federais sendo obrigatórios, dificulta a estabilização da dívida bruta. Segundo o banco, a carga tributária subiu 1,5 ponto percentual do PIB desde 2022, mas o resultado primário permanece abaixo do necessário. No cenário pessimista, a dívida bruta atingiria 87,9% do PIB em 2027, podendo ultrapassar 100% em 2033.
Os estrategistas explicam que um plano de corte de gastos tímido do próximo governo poderia disparar um ciclo de prêmios de risco mais altos e inflação persistente. O documento informa que a reprecificação dos ativos brasileiros pode ocorrer de forma mais rápida do que a implementação da política fiscal.
Para 2027, o cenário-base do Morgan Stanley prevê dólar a R$ 5,25 e Selic em 11,00%. Já a projeção otimista estima a moeda americana a R$ 4,50, juros a 9,75% e PIB de 1,5%. O banco considera improvável que o Brasil recupere o grau de investimento antes de 2028 ou 2029, mesmo em condições favoráveis.
Na Bolsa, a instituição fixou alvo de 215 mil pontos para o Ibovespa em meados de 2027. A estratégia de alocação prioriza empresas com faturamento em dólar e serviços financeiros, enquanto recomenda a venda de títulos soberanos brasileiros com vencimento em março de 2034 em favor de títulos mexicanos.

