Moradores de São João de Meriti, na Baixada Fluminense, estão sendo cobrados em R$ 70 por mês para estacionar carros em frente às suas casas. A extorsão, praticada por grupos de milícia, utiliza a promessa de oferecer segurança aos veículos em qualquer horário para transformar vagas públicas em fonte de renda.
A cobrança atinge principalmente famílias que não possuem garagem própria e dependem do espaço na rua para guardar os automóveis. Segundo as denúncias, a mensalidade é imposta sob pressão, consolidando a rotina de intimidação contra quem vive sob a influência dessas facções no Rio de Janeiro.
O controle territorial avança também sobre a prestação de serviços básicos na região metropolitana. Grupos criminosos já operam a venda de gás e a instalação de internet clandestina, o chamado gatonet, cobrando por atividades que deveriam ser acessíveis de forma regular.
No comércio, a lógica de domínio econômico se reflete em imposições diretas a pequenos negócios. Em Itaguaí, barbeiros e donos de salões de beleza foram pressionados a comprar lâminas de barbear fornecidas pelos milicianos, produtos que teriam sido originados de roubo de carga.
A apuração indica que o avanço do crime organizado se baseia em um padrão de medo e coerção. Moradores e comerciantes passam a arcar com custos extras para evitar ameaças e tentar preservar o funcionamento mínimo de suas atividades cotidianas.


