O jogador Michel Henrique, de 37 anos, relatou ter desenvolvido vício em cassinos online após a regulamentação de apostas esportivas em 2018. O atacante, que atualmente defende o Bagé na Série A2 gaúcha, publicou um vídeo admitindo a luta contra a ludopatia para conscientizar sobre o transtorno.
Michel Henrique foi artilheiro do Campeonato Gaúcho em 2018 e anteriormente no Passo Fundo. Segundo o atleta, o vício se intensificou entre 2022 e 2023, quando passou a utilizar plataformas de cassinos digitais. Ele afirmou que os jogos são projetados para viciar por meio da liberação de dopamina, levando à perda de controle mental.
O jogador criticou a entrada de casas de apostas como patrocinadoras de clubes e competições, como o Brasileirão e a Copa do Brasil. Para ele, o modelo de negócio gera lucro para a imprensa e para as equipes com base no sofrimento de terceiros. Henrique citou ainda a situação de adolescentes e jovens de categorias de base que já apresentam sinais de dependência.
A ludopatia é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que estimou em 1,2% a população mundial afetada em 2024. O atleta relatou que a doença causou afastamento familiar e perdas de credibilidade, além de ter motivado trocas rápidas de clubes por necessidade financeira imediata para sanar as consequências do vício.
No âmbito legislativo, projetos de lei no Congresso Nacional propõem a proibição de publicidade e promoções de jogos de azar online, incluindo vetos a patrocínios esportivos e anúncios em meios de comunicação. A medida seguiria exemplos da Premier League, na Inglaterra, e de restrições já adotadas na Espanha, Itália e Holanda.
No Brasil, o governador de Minas Gerais, Mateus Simões, informou que proibirá a publicidade de casas de apostas em bens e vias públicas estaduais, abrangendo estádios como o Mineirão e o Mineirinho. A iniciativa acompanha medidas semelhantes implementadas no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte.


