O Ministério da Justiça e Segurança Pública realiza, até esta sexta-feira (28), a 4ª Mobilização Nacional de Coleta de DNA para auxiliar na identificação de pessoas desaparecidas. Em Goiás, o atendimento ocorre em unidades da Polícia Técnico-Científica em 23 cidades, onde familiares podem fornecer material genético para comparação com perfis de pessoas não identificadas.
A iniciativa, feita em parceria com institutos de perícia federal e estaduais, conta com 342 postos em todo o País. O material, obtido via cotonete na boca ou gota de sangue, é inserido em um sistema para estabelecer vínculos de parentesco, mesmo na ausência de documentos. A orientação é que parentes de primeiro grau, como pais, filhos e irmãos biológicos, priorizem a coleta para aumentar a precisão dos resultados.
Para participar, é necessário apresentar documento de identificação e, se possível, cópia do Boletim de Ocorrência. Crianças podem fornecer material sob responsabilidade legal. Após a mobilização, as coletas continuam disponíveis em laboratórios e institutos de perícia habilitados. Em Goiás, os postos abrangem regiões como Goiânia, Anápolis, Rio Verde, Itumbiara e Luziânia.
Dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp) indicam que, entre janeiro e julho de 2026, o Centro-Oeste registrou 5.310 desaparecimentos. Goiás concentrou 2.139 ocorrências, o maior volume da região, seguido pelo Distrito Federal, com 1.340 casos. No total regional, 3.397 eram homens e 1.888 mulheres.
O estado apresenta crescimento constante nos registros oficiais: foram 2.698 casos em 2020 e 3.872 em 2025, alta de aproximadamente 43% no período. No entanto, o Grupo de Investigação de Desaparecidos (GID) da Polícia Civil informou que, em 2025, 96,47% dos adultos desaparecidos em Goiânia foram localizados, enquanto o índice para crianças e adolescentes ficou entre 98% e 100%.
A Polícia Federal instaurou dez inquéritos em Goiás em 2025 para apurar tráfico de pessoas. Estudos da Universidade Federal de Goiás (UFG) apontam rotas de exploração sexual de vítimas do estado com destino a países europeus, como Portugal e Espanha. A coleta de DNA é apresentada como ferramenta adicional e não substitui o registro imediato do desaparecimento junto à polícia.

