Um estudante de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) foi agredido por colegas na última terça-feira, dentro do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS), no Centro do Rio. O jovem foi acusado de fazer apologia ao nazismo ao utilizar uma camiseta da banda Death in June, grupo conhecido por adotar símbolos do regime de Adolf Hitler.
As agressões começaram dentro do prédio e continuaram na rua, onde o aluno foi perseguido. O estudante utilizava, além da camiseta, um botton com a suástica cortada por um símbolo de proibido. O reitor da UFRJ, Roberto Medronho, afirmou que a instituição não aceita o nazismo, o antissemitismo ou qualquer forma de discriminação, mas que também repudia a violência física.
A Polícia Civil abriu um inquérito para apurar a apologia à simbologia nazista, tipificada como crime. Paralelamente, a universidade determinou a abertura de uma comissão de sindicância para avaliar tanto a manifestação do aluno quanto as agressões sofridas por ele. Medronho declarou que a apologia a regimes execráveis não justifica o castigo por mãos próprias.
De acordo com o reitor, os envolvidos terão direito à ampla defesa e, se a ilicitude for comprovada, enfrentarão as consequências previstas no código disciplinar. As punições podem variar entre repreensão verbal ou escrita, suspensão e, nos casos mais graves, a expulsão do aluno.
Medronho disse que a polarização e a intolerância da sociedade refletem no corpo social da universidade. Ele mencionou a intenção de criar um conselho consultivo de humanidades, com professores e estudiosos, para assessorar a instituição em campanhas e diálogos com os estudantes.
Sobre relatos de que as agressões teriam ocorrido após o estudante ter insultado um colega negro, o reitor informou que tais narrativas não possuem comprovação e que a universidade não pode dar credibilidade a relatos sem provas durante a apuração.

