As taxas do Tesouro Direto abriram em movimento dividido nesta sexta-feira (28), com alta nos títulos prefixados e leve queda nos indexados à inflação. A oscilação ocorreu após o discurso do presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, durante o simpósio de Jackson Hole, onde alertou que a inflação nos Estados Unidos não apresenta desaceleração significativa.
O Tesouro Prefixado 2029 e o Prefixado 2032 lideraram a abertura com alta de 6 pontos-base. O primeiro subiu para 14,16% e o segundo atingiu 14,55%. Já o Prefixado com Juros Semestrais 2037 avançou para 14,54%. No sentido oposto, o IPCA+ 2032 recuou para 7,98% e o IPCA+ com Juros Semestrais 2037 caiu para 7,66%.
Warsh, que assumiu o comando do Fed em maio, afirmou que a instituição precisa de confiança na convergência da inflação para a meta de 2%, classificada como firme e inalterável. Segundo o presidente do banco central americano, as condições financeiras atuais não são restritivas e os juros permanecem como a principal ferramenta para cumprir o mandato da instituição.
A reação nos Estados Unidos elevou o rendimento do Treasury de dois anos para 4,314%, o maior patamar desde julho. Com a fala, a probabilidade de elevação de 25 pontos-base nos juros americanos em setembro subiu para 43,5%, contra 35,7% registrados anteriormente, de acordo com a ferramenta CME FedWatch.
No Brasil, o dólar à vista superou os R$ 5,20 durante a manhã. Andressa Durão, economista do ASA, avaliou que o discurso foi favorável à alta de juros e deu maior peso ao controle inflacionário do que ao mercado de emprego, que foi descrito como resiliente.
No cenário doméstico, o IGP-M caiu 0,22% em agosto, com alta acumulada de 2,16% em 12 meses. O IBGE informou que os preços ao produtor recuaram 0,83% em julho. Opções negociadas na B3 indicavam, na última quarta-feira, 88,5% de chance de corte de 25 pontos-base na Selic em setembro.


