O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) divulgou, nesta sexta-feira (28), vídeo de propaganda eleitoral que associa a produção do documentário “Lula”, dirigido por Oliver Stone, ao regime venezuelano. A peça utiliza a atuação de Maximilien Arvelaiz, produtor do filme e ex-embaixador da Venezuela no Brasil, para ligar o presidente ao chavismo.
O material cita empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ao país vizinho durante as gestões de Hugo Chávez e Nicolás Maduro. A propaganda afirma que Arvelaiz teria intermediado repasses bilionários que nunca foram quitados, resultando em um calote superior a R$ 10 bilhões.
A propaganda exibe trechos de delações dos marqueteiros João Santana e Mônica Moura, cujo sigilo foi levantado pelo ministro Edson Fachin, então relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF). Mônica Moura relata no vídeo que foi indicada por Lula para realizar campanhas na Venezuela e que os pagamentos em caixa dois eram intermediados por Arvelaiz.
Segundo o depoimento, os recursos eram entregues em espécie pelo próprio Maduro, por vezes em malas de dinheiro, na chancelaria ou no Palácio de Miraflores. Moura afirmou ter recebido cerca de US$ 11 milhões em dinheiro vivo e declarou que sua garantia para o acordo era o próprio Lula.
O vídeo inclui ainda a fala de João Santana sobre a contratação dos serviços, mencionando um acerto de US$ 35 milhões. O marqueteiro descreve Arvelaiz como seu principal interlocutor no processo de montagem da equipe de campanha.
A peça termina questionando a origem dos recursos do documentário “Lula”, lançado em 2024. O narrador indaga como teria sido pago o filme, dado que o produtor é o mesmo ex-embaixador envolvido nos empréstimos não pagos e nos pagamentos em espécie do governo de Maduro.

