A Câmara de Comércio Exterior (Camex) decidiu, nesta quinta-feira (27), renovar por 12 meses a alíquota de importação de 20% sobre seis tipos de resinas de polietileno (PE) e polipropileno (PP). A medida atende a pedidos da Braskem e da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim).
A decisão ocorre enquanto a Braskem enfrenta crise financeira e protocolou, na última segunda-feira (24), um pedido de recuperação extrajudicial. A empresa reconheceu uma dívida de US$ 10,9 bilhões e informou, nesta sexta-feira (28), que a Justiça aprovou o procedimento.
A companhia argumentou ao governo que existe um desequilíbrio global no mercado devido à sobreoferta e à expansão da capacidade produtiva, especialmente da China. Segundo nota técnica da Camex, a Braskem afirmou que o Brasil registra aumento nas importações e elevada ociosidade produtiva da indústria doméstica.
A Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast) manifestou-se contra a renovação. A entidade afirmou que a medida, implementada em 2024 e prorrogada sucessivamente, pode ultrapassar 36 meses sem que a necessidade seja comprovada.
Para a Abiplast, a manutenção das tarifas encarece insumos e prejudica a cadeia produtiva, afetando a concorrência e elevando os preços de produtos como cosméticos, alimentos e remédios. A associação declarou que a medida beneficia apenas um produtor nacional.
A Braskem e a Abiquim foram procuradas às 10h45 desta sexta-feira (28), mas não se manifestaram até a publicação da matéria.


