A 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17) terminou nesta sexta-feira (28), em Ulaanbaatar, capital da Mongólia, com poucos avanços em compromissos internacionais. O evento, realizado pela Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (UNCCD), foi marcado por impasses geopolíticos e a ausência de um regime global contra as secas.
Representantes dos Estados Unidos bloquearam, no início do evento, temas como gênero, participação da sociedade civil e a integração entre as COPs de desertificação, biodiversidade e clima. Esses itens foram reintroduzidos apenas para a agenda da COP18, prevista para 2028, no Egito. O governo americano também defendeu a suspensão total do debate sobre o regime global contra as secas, que acabou se tornando um item permanente nas próximas conferências para evitar novos bloqueios.
A secretária-executiva da UNCCD, Yasmine Fouad, afirmou que o resultado fortalece a permanência do diálogo contra o autoritarismo e que o sistema multilateral não está tão fragmentado. Apesar disso, o financiamento global segue insuficiente. Para cumprir as metas de restauração até 2030, seriam necessários US$ 355 bilhões anuais, mas o investimento atual é de US$ 77 bilhões, gerando um déficit de US$ 278 bilhões por ano.
Entre os avanços, foi lançado o Mecanismo de Investimento para Resiliência à Seca (DRIF), plataforma criada pela UNCCD e Luxemburgo para mobilizar até US$ 400 milhões em recursos. Governos e empresas também anunciaram uma carteira de US$ 1,3 bilhão para restauração de terras, dos quais US$ 644,5 milhões são novos recursos.
A conferência destacou a importância das pastagens, que geram entre US$ 21 trilhões e US$ 47 trilhões anuais em serviços ecossistêmicos. O Brasil apresentou um compromisso voluntário para alcançar a Neutralidade da Degradação da Terra até 2030, prevendo a recuperação ou restauração de mais de 163 mil quilômetros quadrados de vegetação nativa e sistemas agroflorestais.


