O comércio varejista fechou 2.056 vagas de trabalho com carteira assinada em julho, segundo dados do governo federal. No acumulado dos sete primeiros meses de 2026, o setor registra a perda de 7.896 postos, resultado atribuído aos juros elevados e à expansão das vendas pela internet.
O ministro interino do Trabalho, Chico Macena, afirmou que a taxa Selic, atualmente em 14% ao ano, interfere nas decisões das empresas. Segundo Macena, o custo do crédito reduz a oferta financeira, o que afeta o consumo e os investimentos para a abertura de novas lojas e contratações. O ministro declarou que o cenário representa um reposicionamento momentâneo do varejo, e não uma crise estrutural.
O governo também relaciona a queda no emprego ao crescimento das operações digitais. A migração para canais de venda online leva as empresas a reverem estratégias e a adaptarem estruturas físicas e modelos de atendimento para acompanhar o comportamento dos consumidores.
Apesar do resultado no comércio, o Brasil criou 58.568 empregos formais em julho. O número é 56% menor que os 133.932 postos abertos no mesmo mês de 2025 e o pior desempenho para um mês de julho desde 2020, quando foram abertas 108.514 vagas. O saldo ficou abaixo da projeção de 115 mil postos feita pelo mercado financeiro.
Os serviços lideraram a geração de vagas com 24.098 novos postos. A construção civil abriu 12.691, a agropecuária 12.523 e a indústria 11.315. O país mantém o sétimo mês consecutivo de saldo positivo, com 2,26 milhões de admissões contra 2,20 milhões de desligamentos. O estoque de vínculos formais atingiu 48.082.866 no fim do mês.
A geração de empregos foi positiva em 22 das 27 unidades da Federação. São Paulo registrou a maior alta, com 17.814 vagas, seguido por Mato Grosso, com 5.766, e Minas Gerais, com 5.199. O saldo negativo foi registrado no Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Tocantins, Santa Catarina e Distrito Federal.
Quanto à escolaridade, pessoas com ensino médio completo ocuparam 94.757 vagas e quem possui ensino superior 41.520. Houve perda de postos para trabalhadores com ensino médio incompleto, mestrado e doutorado.

