O uso de cigarros durante a gravidez prejudica a placenta, órgão responsável por fornecer oxigênio, nutrientes, hormônios e anticorpos ao feto. Segundo a ginecologista Ana Horovitz, o processo de comprometimento do órgão começa antes mesmo de alterações serem detectadas em exames de ultrassom.
A fumaça do cigarro contém substâncias químicas que impactam a gestação, com destaque para a nicotina e o monóxido de carbono. A nicotina provoca a contração dos vasos sanguíneos, o que reduz o fluxo de sangue para a placenta. Já o monóxido de carbono substitui o oxigênio na hemoglobina, diminuindo a oferta desse elemento essencial para o desenvolvimento do bebê.
Essa redução na circulação pode causar restrição do crescimento fetal e elevar a probabilidade de complicações obstétricas. Entre os riscos citados estão o descolamento prematuro da placenta, a ruptura prematura das membranas, o parto prematuro e a perda gestacional.
A médica informou que não existe quantidade segura de exposição ao cigarro durante a gestação. O risco persiste mesmo para quem fuma apenas um ou dois cigarros por dia ou para mulheres expostas ao tabagismo passivo em ambientes fechados.
A interrupção do hábito traz benefícios em qualquer etapa da gravidez. Mulheres que abandonam o cigarro semanas ou meses após a descoberta da gestação oferecem melhores condições de desenvolvimento ao feto do que aquelas que mantêm o tabagismo até o parto.
A compreensão médica sobre a placenta evoluiu, deixando de vê-la como um órgão de passagem para reconhecê-la como um dos principais reguladores da gestação. Qualquer dano à sua função repercute no crescimento fetal, na duração da gravidez e na saúde da criança após o nascimento.


