O senador e candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, afirmou neste sábado (29) que buscará apoio da iniciativa privada para concluir a Usina Termonuclear Angra 3. A declaração ocorreu durante evento em Angra dos Reis (RJ), onde o político criticou o gasto anual de R$ 1 bilhão para manter o projeto paralisado.
A construção da usina, iniciada na década de 1980, está interrompida desde 2015. Segundo Flávio Bolsonaro, a energia é uma questão prioritária no Brasil e a finalização da obra deve ser feita em conjunto com o setor privado para evitar que os cofres públicos continuem financiando a estrutura sem operação.
Durante o ato, o candidato também defendeu o fortalecimento da produção nacional de petróleo e a liberação de autorizações para exploração na Foz do Amazonas. Ele incluiu no plano de governo o uso de gás natural como fonte de energia e a flexibilização de licenciamentos ambientais, que, segundo ele, freado projetos de infraestrutura no país.
Flávio Bolsonaro argumentou que a região de Angra, Mangaratiba e Paraty poderia atrair turismo internacional caso as questões ambientais fossem destravadas, comparando o potencial local a destinos como Cancún e Indonésia.
Dados do governo indicam que 66% do empreendimento está concluído, com um investimento acumulado de R$ 12 bilhões. Um estudo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) estima que a conclusão da usina custaria R$ 23,9 bilhões. Por outro lado, o cancelamento do projeto envolveria gastos entre R$ 22 bilhões e R$ 25,9 bilhões em rescisões e dívidas.
A Eletronuclear desembolsa anualmente R$ 1 bilhão para a conservação da obra. Desse montante, R$ 800 milhões são destinados ao pagamento de dívidas com o BNDES e a Caixa Econômica Federal, enquanto R$ 200 milhões são aplicados na manutenção de equipamentos e estruturas.
Em julho de 2026, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) reconheceu como interesse público o pedido da Eletronuclear para negociar a suspensão temporária das dívidas com os bancos estatais. A medida, contudo, não alterou os contratos de financiamento nem suspendeu os pagamentos.

