A Justiça Federal determinou a soltura de Germán Andrés Naranjo Maldini, chileno preso em maio por proferir insultos racistas e homofóbicos contra tripulantes e passageiros em um voo da Latam Airlines. A decisão da juíza Fabiana Alves Rodrigues, da 1ª Vara Federal de Guarulhos, condiciona a liberdade ao uso de tornozeleira eletrônica e à proibição de deixar o país.
O incidente ocorreu em 15 de maio, em aeronave que partiu de São Paulo com destino a Frankfurt, na Alemanha. Durante o trajeto, o homem ofendeu comissários da companhia e afirmou que ser gay “é um problema”, além de dizer que um dos funcionários tinha “cheiro de negro brasileiro”.
A defesa do estrangeiro solicitou a instauração de um incidente de insanidade mental para verificar a possibilidade de inimputabilidade. A magistrada acolheu o pedido de soltura nesta sexta-feira (27), argumentando que a manutenção da prisão preventiva seria desproporcional caso a condição psiquiátrica fosse confirmada.
Na decisão, a juíza afirmou que o acusado apresenta “alto grau de desprezo pelo Brasil”, especialmente quanto à dimensão racial da população, e reiterou a gravidade das ofensas. Sobre as alegações de alcoolismo, a magistrada observou que o homem exerce atividade profissional com salário de cerca de R$ 93 mil mensais desde 2017, o que indica vida produtiva.
A empresa pesqueira Landes comunicou o desligamento definitivo de Naranjo Maldini dias após a prisão. Para evitar a fuga, a Justiça determinou a retenção do passaporte e a anotação da vedação de viagem nos bancos de dados migratórios.
A decisão considerou que a contratação de um apartamento em São Paulo por um ano, comprovada pela esposa do réu, e a disposição em realizar exames mentais demonstram que ele não pretende evadir-se. O Ministério Público Federal (MPF) também defendeu a soltura. O chileno deve comparecer ao juízo sempre que for oficiado.


