O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) afirmou, em duas agendas com agentes do mercado financeiro, que a relação com o Supremo Tribunal Federal (STF) será simplificada caso ele seja eleito e nomeie quatro ministros para as vagas que abrirão durante o próximo mandato presidencial.
Acompanhado da economista Daniella Marques, ex-presidente da Caixa, o candidato reuniu-se com 30 lideranças do Bradesco na sede da instituição em Osasco (SP), onde foi recebido por Luiz Carlos Trabuco e Marcelo Noronha. Em outra ocasião, na noite de quinta-feira (27), Bolsonaro participou de um jantar em São Paulo na casa de Marcelo Kayath, sócio da QMS Capital, com a presença de executivos da Simpar, Gerdau e Esfera Brasil.
Durante os encontros, empresários questionaram o candidato sobre ajuste fiscal, reforma tributária e a possibilidade de manter confrontos com o STF, como ocorreu na gestão de Jair Bolsonaro. Flávio declarou que sabe que será cobrado por resultados, sinalizando a intenção de conduzir um governo pragmático. Sobre privatizações, disse não ser radical e afirmou que existem ativos estratégicos dos quais o Estado não pode abrir mão.
Os participantes das reuniões criticaram a ingerência do Judiciário, citando a ADPF das Favelas e a criação de novos benefícios para servidores da Corte. A ADPF mencionada determinou a elaboração de um plano para retomar áreas ocupadas por organizações criminosas no Rio de Janeiro, medida vista pelo governo fluminense como um entrave ao combate ao crime.
Ao ser questionado sobre o perfil de seu eventual ministério, Flávio Bolsonaro afirmou que, se vencer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), assumirá o cargo sem débitos com terceiros. Ele também reiterou a intenção de cumprir apenas um mandato, independentemente de ter quatro ou cinco anos, e protocolou no início do ano uma proposta de emenda à Constituição (PEC) para extinguir a reeleição.


