O empresário chinês Zhou Guren, também conhecido como Bobby Zhou, investiu US$ 100 milhões em tokens digitais da World Liberty Financial (WLFI), projeto da família do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A operação foi realizada via Aqua 1 Foundation, veículo de investimento sediado nos Emirados Árabes Unidos, em junho de 2025.
A transação tornou a Aqua 1 a maior compradora conhecida do projeto, superando o aporte de US$ 75 milhões feito por Justin Sun. De acordo com a apuração, até US$ 75 milhões desse montante foram destinados a uma empresa controlada pelo presidente e seus filhos, devido ao acordo de divisão de receitas da WLFI.
Zhou Guren está incluído na China na lista de pessoas desonestas sujeitas à execução por dívidas civis de dezenas de milhões de yuans. No Reino Unido, o empresário é alvo de investigação por lavagem de dinheiro conduzida pelo Crown Prosecution Service. Ele foi preso e interrogado pela polícia britânica em março de 2021, sob suspeita de converter recursos de atividades criminosas.
O histórico do investidor inclui o fracasso de uma empresa de madeira da família em Xangai e a condenação de uma manufatura familiar por contrabando aduaneiro para sonegação de impostos em 2016. Negócios de varejo de Zhou no Reino Unido entraram em liquidação em 2018 por crise de fluxo de caixa.
A compra dos tokens começou em janeiro de 2025, uma semana após o retorno de Trump à Casa Branca. A conclusão do negócio ocorreu após uma reunião em Dubai entre Zhou e Eric Trump, segundo relatos. Anteriormente, Zhou tentou construir imagem de legitimidade em Abu Dhabi com parcerias fabricadas com uma corretora chinesa e um grupo ligado à família real dos Emirados Árabes, que negaram os vínculos.
Especialistas em combate à lavagem de dinheiro manifestaram ceticismo sobre a aceitação do capital. A origem dos US$ 100 milhões permanece desconhecida, considerando as dívidas não pagas na China e o processo judicial em curso no Reino Unido.

