A cidade do Rio de Janeiro registrou 1,8 milhão de apostadores esportivos em junho, o que representa 26,89% da população, segundo dados do Ministério da Fazenda. O índice é superior ao de São Paulo, onde o percentual de apostadores foi de 15,75%, apesar de a capital paulista ter quase o dobro da população da fluminense.
Para enfrentar o cenário, a Secretaria Municipal de Saúde do Rio implementou um programa de rastreio do transtorno do jogo em toda a rede de atendimento. Os pacientes são questionados se sentiram vontade de jogar ou se precisaram mentir sobre o hábito; respostas positivas resultam em encaminhamento para tratamento especializado.
O secretário municipal de Saúde, Rodrigo Prado, explicou que os pacientes raramente buscam ajuda espontaneamente e que o vício costuma estar atrelado a quadros de insônia, ansiedade e depressão. Nas primeiras semanas, o perfil identificado indicou que quase 60% dos apostadores são homens e 53% têm entre 18 e 39 anos. Entre os familiares afetados, 85% são mulheres com mais de 40 anos.
Carlos Frederico Leão Rocha, diretor do Instituto de Economia da UFRJ, atribui o número ao maior acesso a crédito consignado de funcionários públicos e à informalidade, que elevam a tendência ao endividamento. Gabriel Correia, professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), acrescenta que a normalização histórica do jogo do bicho no Rio criou uma cultura de apostas que as plataformas digitais atualizaram.
O impacto financeiro é refletido nos dados do Serasa de julho de 2026, que apontam 83,9 milhões de inadimplentes no Brasil. O Rio é o quinto estado com mais pessoas endividadas, com 45% da população no vermelho. Entre esses inadimplentes, 46% afirmaram já ter apostado em bets na tentativa de quitar dívidas.
Desde o fim de março, 2.448 pessoas do Estado do Rio se cadastraram no teleatendimento em saúde mental do SUS para jogadores, de um total nacional de 27.703. A ludopatia é classificada como transtorno mental pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O governo federal instituiu alertas obrigatórios e a possibilidade de bloqueio do CPF em sites oficiais, mas usuários relatam a persistência de mensagens de empresas ilegais.


