O governo dos Estados Unidos deve anunciar, nesta segunda-feira (31), detalhes de um plano para permitir que pecuaristas processem alimentos legalmente dentro de suas propriedades. A medida, indicada pelo presidente Donald Trump, visa ampliar o direito do setor produtivo e reduzir o domínio de grandes empresas de processamento de carne no país.
A secretária de Agricultura, Brooke Rollins, afirmou que os anúncios visam garantir a capacidade de produção de alimentos e energia como questão de segurança nacional. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) pretende reduzir barreiras regulatórias e facilitar a comercialização de produtos entre diferentes estados.
A iniciativa ocorre enquanto o governo tenta conter a impopularidade causada pela inflação da carne bovina antes das eleições de meio período em novembro. Para aumentar a oferta imediata, Trump anunciou no dia 25 de agosto a importação temporária de proteína animal sem taxas extra-cota.
A abertura do mercado gerou reação de parlamentares de estados produtores e de pecuaristas, que temem a queda dos preços domésticos. O senador republicano Tim Sheehy, de Montana, é um dos críticos da medida, que pode comprometer investimentos para a recomposição do rebanho bovino.
Fernando Iglesias, analista de pecuária da Safras & Mercado, explica que a crise do setor em 2026 decorre de fatores acumulados, como o incentivo à produção de grãos e secas nas planícies do norte, que elevaram os custos da dieta animal. Segundo o analista, a tentativa de reduzir o poder da indústria de processamento ignora a falta de incentivos governamentais para aumentar o rebanho.
A mudança enfrenta obstáculos estruturais, já que as grandes companhias detêm alta capacidade de abate e influência de mercado. Iglesias avalia que os efeitos da nova medida não serão imediatos, podendo levar de dois a três anos para impactar o mercado norte-americano.
Há ainda incertezas jurídicas sobre a viabilidade do plano devido às rígidas regras de inspeção sanitária. O republicano Thomas Massie, autor de projeto para flexibilizar exigências a pequenos produtores, defendeu que a alteração seja feita por lei, e não por ordem executiva.


