Os Estados Unidos manifestaram oposição ao novo acordo comercial entre o México e a União Europeia, que concede proteções especiais a centenas de produtos europeus vinculados a regiões específicas. A medida, assinada em maio, impede que produtores fora do bloco europeu utilizem nomes como parmesão, feta e manchego em seus produtos no mercado mexicano.
Washington argumenta que a regulamentação trata nomes que deveriam ser genéricos como marcas exclusivas. O Escritório do Representante Comercial dos EUA afirmou em relatório que a exigência de descrições como “estilo asiago” é onerosa e contribui para um déficit comercial de US$ 1,2 bilhão no setor de queijos com a União Europeia.
Jaime Castaneda, vice-presidente executivo do Conselho de Exportação de Laticínios dos EUA, afirmou que o governo mexicano precisa garantir que fabricantes norte-americanos e mexicanos de queijos com nomes comuns continuem operando no mercado. Os EUA exportam anualmente cerca de US$ 1 bilhão em queijos para o México, enquanto as exportações europeias para o país somam US$ 200 milhões.
O impasse ocorre enquanto os dois países negociam um acordo comercial provisório para este ano e discutem a renovação do Acordo EUA-México-Canadá. Segundo fontes do governo mexicano, a disputa pelas denominações de origem tornou-se um ponto crítico nas conversas bilaterais.
A Comissão Europeia informou que não alterará os termos do acordo e que já tomou nota das ações dos EUA. No México, o pacto ainda não entrou em vigor, pois aguarda ratificação dos parlamentares, embora a parte europeia já tenha concluído os procedimentos necessários.
Produtores locais no México apresentam visões opostas. Rodolfo Navarro, proprietário de uma distribuidora familiar, defende o acordo com a Europa por reduzir tarifas e diversificar o mercado. Já Georgina Yescas Trujano, cofundadora da Lactography, afirma que os EUA inundam o mercado com produtos de baixo custo, prejudicando a qualidade e a produção nacional.


