O início da temporada de plantio de soja e algodão no Brasil, previsto para setembro, deve intensificar a crise global de oferta de diesel. A coincidência entre o pico de demanda sazonal no campo e a redução de embarques de derivados de petróleo no Oriente Médio e na Rússia eleva a dependência brasileira de importações dos Estados Unidos.
A sobreposição entre o plantio e a colheita de milho de inverno eleva o consumo de diesel a um patamar 200 mil barris por dia acima do padrão da entressafra. Segundo a empresa Vortexa, as importações brasileiras de diesel e gasóleo atingiram o topo em setembro em três dos últimos quatro anos. Agricultores enfrentam agora os maiores preços sazonais do combustível em quatro anos.
O mercado global foi desorganizado por conflitos internacionais. A guerra com o Irã reduziu drasticamente os embarques de derivados pelo Estreito de Ormuz. Simultaneamente, a Rússia suspendeu exportações após ataques ucranianos a refinarias. Isso forçou o Brasil a aumentar a compra de diesel americano em julho, volume mais alto em quase quatro anos, conforme dados alfandegários compilados pela Bloomberg.
Susan Bell, vice-presidente sênior de pesquisa de refino da Rystad Energy, informou que as refinarias brasileiras operam com 95% de utilização, mas a capacidade interna é insuficiente. Bell afirmou que os Estados Unidos não possuem estoques capazes de cobrir a lacuna da demanda, operando com os menores níveis de reserva já registrados para o período.
Irineu Orth, produtor de 76 anos com fazenda na Bahia, relatou que os custos do combustível estão reduzindo a margem de lucro no campo. Orth, que prepara o plantio de 8.900 hectares, disse que tudo o que é feito na agricultura depende do diesel. O agricultor pretende iniciar os trabalhos em sua propriedade até meados de setembro.
Atualmente, o diesel vindo de Ulsan, na Coreia do Sul, surge como a alternativa de frete mais viável para o porto de Santos, em São Paulo, segundo Nikolas Plonski, analista da Sparta Commodities. No entanto, a tendência é que as exportações do Golfo do México voltem a ser a principal opção a partir de novembro, com a extensão do plantio brasileiro até dezembro.


