A Ucrânia e cinco países europeus membros da Otan — Polônia, Finlândia, Estônia, Lituânia e Letônia — retiraram-se do Tratado de Ottawa, que proíbe o uso de minas terrestres antipessoais. A decisão ocorre em meio ao conflito com a Rússia e reflete a retomada da fabricação e instalação de explosivos em áreas fronteiriças.
O Serviço de Ação Antiminas das Nações Unidas (UNMAS) informou que, em meados de 2025, aproximadamente 25% do território da Ucrânia estava afetado por minas terrestres e resíduos explosivos de guerra. A contaminação atinge tanto as áreas controladas por Kiev quanto as regiões ocupadas pela Rússia no leste e sudeste do país.
Roman Kostenko, secretário da comissão de segurança nacional, defesa e inteligência do parlamento ucraniano, afirmou que o país não poderia permanecer vinculado a condições em que o inimigo não possui restrições. A Rússia nunca ratificou o tratado e utiliza minas em larga escala em solo ucraniano. A Ucrânia também já estaria utilizando o dispositivo, embora em menor escala.
Na Polônia, o primeiro-ministro Donald Tusk declarou a intenção de instalar minas nas fronteiras orientais com a Rússia. A empresa estatal de defesa Belma foi contratada para a produção desses armamentos em grandes quantidades. A Lituânia também anunciou que voltará a fabricar e comprar minas terrestres.
A ONG Landmine and Cluster Munition Monitor registrou que mais de 5 mil pessoas, principalmente civis, morreram ou foram feridas por minas ou munições não detonadas em 2025. No Sudão do Sul, 90% das vítimas do ano passado eram crianças. Em 2023, o total de vítimas globais subiu para 5.700, com a maioria dos casos em Mianmar, Ucrânia, Afeganistão e Síria.
Simone Wisotzki, do Instituto Leibniz de Pesquisa para a Paz (PRIF), disse que a retirada dos Estados europeus estabelece um precedente perigoso que pode levar a novas desistências e fragilizar a legitimidade do pacto. Ela alertou que tecnologias inteligentes em minas modernas dificultam a remoção, impactando desproporcionalmente a população civil.
A estimativa do UNMAS é que o custo para a remoção total de minas e resíduos explosivos de guerra no mundo chegue a US$ 35 bilhões (cerca de R$ 181 bilhões) ao longo de 10 anos. O cenário coincide com a expiração de outros acordos de desarmamento, como o Tratado New Start, encerrado em fevereiro de 2026.


