A Empresa de Correios e Telégrafos registrou prejuízo de R$ 5,6 bilhões no primeiro semestre de 2026, completando 16 trimestres seguidos de déficit. Para recompor o caixa, a estatal informou estar em estágio avançado de estruturação de um novo empréstimo de R$ 7 bilhões, com a União atuando como fiadora da operação.
As demonstrações financeiras indicam que as despesas do período somaram R$ 12,4 bilhões, enquanto as receitas totalizaram R$ 8,19 bilhões. O resultado reflete um aumento de R$ 972 milhões nos dispêndios em comparação ao mesmo período de 2025. A empresa também confirmou o compromisso do Governo Federal de realizar um aporte de capital de R$ 6 bilhões até o final de 2027.
O desempenho das receitas foi impactado pela queda nos serviços de transporte de encomendas internacionais. O segmento, que representava 22,2% do faturamento, caiu para 4,3% do total, somando R$ 355 milhões. A redução é associada ao programa Remessa Conforme, que implementou a cobrança de 20% de imposto de importação sobre compras de até US$ 50.
Em contrapartida, a prestação de serviços de logística para empresas cresceu, saltando de R$ 205 milhões em 2025 para R$ 423 milhões em 2026. No campo das despesas, houve uma redução de R$ 20 milhões nos gastos com salários, que totalizaram R$ 5,2 bilhões nos seis primeiros meses do ano, valor 15% menor que a previsão inicial.
O aumento dos gastos foi impulsionado pelas despesas financeiras, que subiram 161%, passando de R$ 673 milhões para R$ 1,7 bilhão. O montante inclui juros e multas de contratos e empréstimos, como a operação de R$ 12 bilhões firmada no final do ano passado. As despesas com provisões e perdas judiciais também somaram R$ 1,3 bilhão até junho.


