O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou neste domingo (30) que as oscilações recentes do iene estão “bem contidas”. A declaração ocorreu na véspera do encontro de ministros de finanças e presidentes de bancos centrais do G20 em Asheville, na Carolina do Norte, onde o dirigente americano participou da cúpula.
A fala de Bessent acontece após o iene cair abaixo de 160 unidades por dólar na última sexta-feira (29), patamar visto como gatilho para novas intervenções no mercado. O movimento contrasta com a postura de 31 de julho, quando EUA e Japão realizaram uma rara operação conjunta de compra da moeda japonesa para evitar instabilidades globais.
O secretário declarou que o Japão superou a deflação e encerrou o Abenomics, programa de reflação lançado em 2013 por Shinzo Abe. Segundo Bessent, o país migrou para a “Takaichi-nomics”, sob a gestão da primeira-ministra Sanae Takaichi. Para ele, a nova fase é mais favorável aos acionistas por trazer desregulamentação no mercado de trabalho e menor intervenção estatal.
Questionado se o Banco do Japão (BOJ) deveria elevar os juros de forma mais agressiva para frear a desvalorização da moeda, Bessent evitou dar instruções diretas. Ele afirmou que espera que o presidente do BOJ, Kazuo Ueda, “faça a coisa certa” na condução da política monetária, com o apoio do governo de Takaichi.
A primeira-ministra implementou um programa de gastos para ampliar investimentos e reduzir o custo de vida das famílias. A estratégia, porém, é criticada por contrariar os esforços do BOJ em conter a inflação. O plano pressionou o rendimento do título do governo japonês de 10 anos para 2,945% no início deste mês, a máxima em 30 anos.
O BOJ deve decidir sobre a taxa de juros nos dias 17 e 18 de setembro. A apuração indica que a instituição estuda elevar os juros já no próximo mês, em um ritmo mais acelerado do que os dois aumentos anuais praticados atualmente. A desvalorização do iene tem encarecido importações e alimentado a inflação no país.


