O governo dos Estados Unidos anunciou a ampliação temporária da cota de importação de carne bovina, medida que pode beneficiar exportadores brasileiros, especialmente os de Goiás. O decreto, assinado pelo presidente Donald Trump, adiciona 300 mil toneladas de aparas magras e recortes com tarifa reduzida, com vigência de 1º de setembro a 30 de novembro de 2026.
A decisão do governo norte-americano visa ampliar a oferta no mercado interno para conter a alta dos preços da carne. A cota adicional foi destinada à categoria de “outros países ou áreas”, o que significa que o volume será disputado por nações habilitadas e a entrada dos produtos ocorrerá por ordem de chegada.
A Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa) de Goiás registrou crescimento nas exportações da proteína no primeiro trimestre de 2026. O faturamento do estado subiu 32% em comparação ao mesmo período de 2025, com aumento de 14,2% no volume embarcado e a expansão do número de destinos de 62 para 77 países.
Os Estados Unidos superaram a China em janeiro e assumiram a liderança entre os compradores de carne bovina de Goiás. No primeiro trimestre do ano, o valor adquirido pelo mercado norte-americano cresceu 188,1%. Entre janeiro e maio de 2026, o estado movimentou US$ 913,1 milhões com vendas externas, embarcando 158,7 mil toneladas.
Em maio, a exportação goiana atingiu US$ 209,8 milhões e 34,2 mil toneladas. O preço médio da tonelada foi de US$ 6.127,25, alta de 22% em relação a maio de 2025, recorde para o mês. Para o mercado dos Estados Unidos, o valor médio da tonelada foi superior à média geral do estado, fechando em US$ 6.353,34.
No primeiro trimestre de 2026, Goiás abateu 946 mil cabeças de bovinos e produziu 243,2 mil toneladas de carcaça. O estado ficou na terceira posição nacional em abates e na quarta em produção de carcaça, representando 9,2% da produção brasileira, segundo a Seapa.
O governo americano monitorará os preços das importações. O saldo restante da cota poderá ser eliminado caso os produtos importados dentro do novo limite não sejam comercializados por ao menos 25% abaixo do preço de mercado para esse tipo de carne.


