Brasileiras vítimas de violência doméstica e de gênero registraram 1.631 ocorrências nos consulados do país no exterior ao longo de 2024. Os dados fazem parte de um levantamento do Ministério das Relações Exteriores (MRE), incorporado ao Mapa Nacional da Violência de Gênero, iniciativa realizada em parceria com o Senado Federal.
A Europa foi a região com o maior volume de registros, somando 730 casos, o que representa 30,92% do total. A América do Norte aparece em seguida com 412 ocorrências (17,45%), seguida pela América do Sul, com 356 registros (22%). Ásia, Oriente Médio, África, América Central e Oceania concentram, juntas, menos de 8% dos casos.
No ranking por país, os Estados Unidos lideram com 397 ocorrências. A Bolívia ocupa a segunda posição com 258 casos, seguida pela Itália (153) e Portugal (144). No Reino Unido foram 102 registros, enquanto a Espanha contabilizou 79, a Irlanda 65 e a Bélgica 43.
A Bolívia apresentou um salto de 821% nos registros, passando de 28 casos em 2023 para 258 em 2024. O Mapa Nacional da Violência de Gênero informou que a alta está relacionada à ampliação do atendimento no Consulado-Geral do Brasil em Santa Cruz de la Sierra, que passou a contar com uma psicóloga especializada.
Quando os dados são cruzados com a população residente, os índices mais altos aparecem em comunidades menores. Na Guiné, houve um registro para cada 12 brasileiras. Em Cabo Verde, foram três ocorrências para cada 60 mulheres, e na Albânia, dois casos para cada 70 residentes.
O MRE apontou limitações na coleta de dados. Na América Central e Caribe, 87,5% dos países não possuem registros. O percentual de ausência de notificações é de 67,7% na África, 58,3% no Oriente Médio, 57,9% na Ásia e 31,4% na Europa. Fatores como barreiras linguísticas e distância dos consulados podem contribuir para a subnotificação.


