Autoridades da Síria investigam a possível presença de dois parentes do ex-ditador Bashar al-Assad no Brasil. A suspeita surgiu durante a COP30, em Belém, após membros da comunidade síria informarem a delegação de Damasco sobre a localização dos primos do ex-presidente, que enfrentam perseguições do novo governo.
O presidente sírio, Ahmed al-Sharaa, recebeu os relatos de inteligência durante o evento climático. O novo regime intensificou a caça a familiares de Assad desde a deposição do ex-mandatário, ocorrida em dezembro de 2024. Bashar al-Assad e outros três parentes foram sentenciados à morte em agosto, incluindo o irmão, Maher al-Assad, e os primos Atef Najib e Wassim al-Assad.
Um dos suspeitos de estar em território brasileiro é irmão de Wassim al-Assad. Engenheiro e ex-parlamentar filiado ao Partido Baath, ele é acusado de envolvimento com tráfico e contrabando no porto de Latakia. No início de agosto, o governo sírio solicitou o bloqueio de seus bens e alegou sua participação na milícia al-Wa’ad al-Sadiq.
O segundo alvo das investigações seria filho de Rifaat al-Assad, antigo vice-presidente e irmão de Hafez al-Assad. Devido a vínculos com o regime anterior, esse familiar enfrenta sanções impostas por França, Bélgica, Suíça, Mônaco e União Europeia desde 2023. Ambos teriam deixado a Síria após a queda de Bashar al-Assad.
A apuração enfrenta dificuldades burocráticas na Embaixada da Síria no Brasil. A ausência de uma nova embaixadora após a saída de Rania al Haj Ali e a permanência de funcionários ligados ao antigo regime prejudicam a comunicação entre Damasco e Brasília. Funcionários do Ministério das Relações Exteriores do Brasil afirmaram que a localização de familiares de Assad não é atribuição da diplomacia brasileira.


