O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, tenta recolocar o tema do crescimento no centro das discussões durante a reunião dos ministros de Finanças do G20, em Asheville, na Carolina do Norte, nesta segunda-feira (31). A agenda enfrenta ceticismo de mercados e de pares globais devido a recentes intervenções cambiais e tensões comerciais.
Bessent defende a desregulamentação ao estilo americano como motor do crescimento mundial. No entanto, a apuração indica que as maiores ameaças à expansão global neste ano derivam da alta dos preços da energia e dos reflexos da guerra do governo Donald Trump contra o Irã, além de novas tarifas comerciais contra o Canadá.
O ministro das Finanças da Alemanha, Lars Klingbeil, afirmou em comunicado que pretende defender o fim de disputas tarifárias e dos conflitos no Irã e na Ucrânia, classificando tais eventos como veneno para o desenvolvimento econômico. Autoridades europeias também criticaram a venda de euros pelos EUA para a compra de ienes, vista como gesto político em favor do Japão.
No mercado financeiro, a credibilidade de Bessent é questionada. Sushil Wadhwani, ex-diretor do Banco da Inglaterra, comparou as intervenções do secretário no mercado de títulos a tentar enfrentar o mercado com uma pistola de água, chamando a ação de imprudente. O iene, alvo de intervenções no fim de julho, voltou a atingir 160 por dólar na última sexta-feira.
A política americana também gera desconforto na China. Segundo Christopher Beddor, da Gavekal Dragonomics, o Banco do Povo da China prefere a recuperação do dólar para evitar a valorização excessiva do renminbi. Para Pequim, a reabertura do Estreito de Hormuz é prioritária frente à pressão econômica de Washington sobre Teerã.
Internamente, há divergência entre Bessent e o presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh. Enquanto o secretário do Tesouro foca na redução dos custos de financiamento de uma dívida pública de US$ 40 trilhões, Warsh prioriza o controle da inflação. A economista Jacqueline Rong, do BNP Paribas, afirma que essa falta de sintonia enfraquece a credibilidade das instituições americanas.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) projeta crescimento global de 3% em 2026. A diretora-gerente da instituição, Kristalina Georgieva, alertou na semana passada que, embora a economia resista a choques energéticos e seja impulsionada por investimentos em inteligência artificial, os riscos de desaceleração permanecem.


