As enchentes na fronteira entre o Nepal e a China deixaram 955 mortos e 4.471 desaparecidos até esta segunda-feira (31), segundo autoridades dos dois países. A tragédia começou no dia 26 de agosto, provocada por uma avalanche e deslizamentos de terra que isolaram comunidades e destruíram a infraestrutura da região.
As operações de emergência concentram-se nos túneis de usinas hidrelétricas ao longo do rio Trishuli, no norte do Nepal. Ao todo, 933 trabalhadores estão desaparecidos em projetos da região. O escritório do primeiro-ministro informou que drones lançados por engenheiros do Exército do Nepal no Projeto Hidrelétrico de Rasuwagadhi não encontraram sinais de presença humana.
A parlamentar Sumnima Udas afirmou que o país permanece em modo de busca e resgate. Segundo a deputada, o terreno em Rasuwa, epicentro do desastre, está isolado, obrigando helicópteros a aguardarem em fila para acessar os desfiladeiros estreitos da localidade.
David Fisher, chefe da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho no Nepal, disse que os distritos de Nuwakot e Rasuwa ficaram inacessíveis. Uma estrada foi aberta na sexta-feira, mas Fisher informou que o trajeto, que normalmente leva duas horas, agora demanda 14 horas e não comporta caminhões.
O governo do Nepal elevou o efetivo de resgate para 20 mil pessoas, com apoio de equipes da China, Coreia do Sul e Índia. A Administração Meteorológica da China alertou nesta segunda-feira (31) para a previsão de chuvas em Gyirong e temperaturas que podem cair a 8ºC.
O Ministério de Recursos Hídricos da China informou que áreas de água estagnada a 2,5 quilômetros de uma cratera de colapso glacial estão em estado de transbordamento. Há risco de que o colapso de barreiras de deslizamento forme novos lagos represados, o que já levou a China a suspender operações de resgate anteriormente para evitar desastres secundários.

