O ministro da Justiça e Segurança Pública de El Salvador, Gustavo Villatoro, defendeu nesta segunda-feira (31), em evento na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o modelo de segurança do presidente Nayib Bukele. Villatoro classificou a estratégia como uma guerra contra organizações criminosas que haviam criado um Estado paralelo no país.
O ministro atribuiu a retomada do controle de territórios ao regime de exceção decretado em março de 2022, ao endurecimento das leis e a mudanças no Judiciário. Segundo Villatoro, o número de homicídios caiu de 3.962 em 2015 para 82 em 2025, uma redução de cerca de 98%. Ele afirmou que a impunidade para esses crimes, que chegava a 97%, caiu a zero.
A experiência salvadorenha serve de referência para políticos brasileiros. O senador Sergio Moro, candidato ao governo do Paraná, anunciou no evento a intenção de construir um presídio de segurança máxima batizado de “El Salvador”. O deputado federal Guilherme Derrite e o senador Flávio Bolsonaro também estiveram relacionados à agenda do ministro.
Villatoro rejeitou críticas de entidades internacionais, chamando opositores de “pseudo-defensores de direitos humanos”. Ele disse que tais organizações seriam hipócritas e estariam mais preocupadas com os direitos de criminosos do que com os das vítimas.
A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) manifestou preocupação em abril com o prolongamento do regime de exceção. A Human Rights Watch também documentou torturas e detenções arbitrárias de adultos, crianças e adolescentes no país.
Sobre o passado, o ministro disse que governos anteriores falharam. Ele citou que a gestão de esquerda de Mauricio Funes, em 2012, realizou uma trégua com gangues que entregou o controle de territórios ao crime organizado.
A organização do evento na Fiesp informou que não transmitiria a palestra na íntegra por questões de direitos autorais sobre os slides apresentados pelo convidado.

