Os advogados Paulo Faria e Filipe de Oliveira comunicaram à Embaixada da Itália no Brasil, nesta segunda-feira (31), a existência de divergências nos documentos utilizados pelo governo federal no pedido de extradição do perito Eduardo Tagliaferro, exassessor do ministro Alexandre de Moraes no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Em e-mail enviado ao embaixador Alessandro Cortese, a defesa solicitou a indicação do canal oficial para notificar o governo e a Justiça italianos sobre um mandado de prisão oculto. A ordem teria sido expedida em 31 de julho de 2025, na Petição 12.936, com trâmite no Supremo Tribunal Federal (STF).
O mandado é utilizado para fundamentar o processo contra Tagliaferro na Corte de Apelação de Catanzaro. No entanto, a defesa apresentou uma certidão emitida pela própria Corte em 22 de agosto deste ano que não registra a expedição do documento na data mencionada, nem a decisão de prisão preventiva.
Outra inconsistência citada envolve uma manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR), datada de 30 de julho de 2025. Segundo os advogados, esse ato também não consta no histórico processual certificado pelo STF.
Tagliaferro trabalhou com Alexandre de Moraes durante a presidência do magistrado no TSE e vazou mensagens que indicariam a existência de um gabinete paralelo na Corte para favorecer o presidente Lula.
Na semana passada, Faria e Oliveira acionaram o Ministério da Justiça e Segurança Pública para questionar as inconsistências. O requerimento pede acesso integral ao procedimento de extradição, a preservação de arquivos digitais, a verificação da cadeia documental e o reexame da admissibilidade do pedido.

