O aumento de brasileiros que vivem sozinhos, que passou de 12,2% em 2010 para 19,1% em 2022, segundo o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), impulsiona a discussão sobre a contratação de seguros de vida por solteiros sem filhos e sem dependentes financeiros.
A análise para a contratação do serviço muda quando se considera o financiamento de imóveis, a ajuda financeira aos pais e a dependência da própria renda para manutenção de despesas e construção de patrimônio. Rafael Carvalho, CEO da Aegis Consultoria, afirmou que o seguro não serve apenas para proteger dependentes, mas para preservar o patrimônio já construído e planos financeiros de longo prazo.
Adenauer Rockenmeyer, conselheiro do Conselho Regional de Economia de São Paulo (Corecon-SP), explicou que a capacidade de gerar renda é um dos principais ativos de um indivíduo, especialmente no início da vida profissional. Para ele, mecanismos que protegem essa capacidade devem ser vistos como parte de uma estratégia de gestão de riscos financeiros, e não apenas como um custo.
Além da indenização por morte, as apólices podem incluir coberturas acionadas em vida, como invalidez, doenças graves, Diária por Incapacidade Temporária (DIT) e Diária por Internação Hospitalar (DIH). A DIT é especialmente relevante para autônomos, profissionais liberais e empreendedores, que podem sofrer perda significativa de receita durante afastamentos médicos, segundo Dayana Gonçalves, coordenadora de produtos de vida da MAG Seguros.
Para mulheres com mais de 60 anos que vivem sozinhas, as coberturas para doenças graves, internação e acidentes ganham relevância diante do aumento da expectativa de vida. Gonçalves disse que, nesse estágio, o seguro funciona como uma ferramenta de preservação da independência.
Simulações feitas por Sonia Marra, presidente do Clube Vida em Grupo Rio de Janeiro (CVG-RJ), indicam que um pacote para homem de 30 anos custa cerca de R$ 137 mensais. Aos 50 anos, o valor sobe para R$ 429. Para uma mulher de 60 anos, um pacote com coberturas de morte, invalidez, doenças graves e assistência funeral custa por volta de R$ 457 por mês.
Os valores variam conforme idade, saúde, profissão e capital segurado. Carvalho informou que o ideal é que a proteção financeira entre no planejamento assim que a pessoa passa a ter renda própria e responsabilidades financeiras.

