O assessor jurídico do Ministério das Relações Exteriores da Itália, Giovanni Tartaglia Polcini, afirmou nesta segunda-feira (31), em evento na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que o Primeiro Comando Capital (PCC) seria classificado como uma máfia caso fosse julgado pela legislação italiana, comparando-o a grupos europeus como a ‘Ndrangheta.
Polcini defendeu que o setor privado deve participar ativamente do enfrentamento a esses grupos para evitar a infiltração criminosa na economia formal. Segundo o assessor, as máfias modernas são violentas e silenciosas, e não são derrotadas exclusivamente em tribunais, mas também por meio de atividades econômicas legais.
O representante do governo italiano, que também é diretor adjunto do programa El Paccto 2.0 da União Europeia, citou corrupção, lavagem de dinheiro e infiltração na administração pública como os três canais utilizados por máfias para se estabelecerem em um país. Ele mencionou que a ‘Ndrangheta e o PCC utilizam criptomoedas para o branqueamento de capitais.
Sobre a segurança pública, Polcini observou que a redução de mortes violentas no Brasil não significa necessariamente a falha da criminalidade. Ele explicou que organizações poderosas podem deixar de usar a violência de rua para utilizar outros meios de coação e controle de território.
O assessor relatou que a Itália levou cerca de 50 anos para construir um ordenamento jurídico eficiente contra as máfias. A estratégia incluiu a criação da figura jurídica de associação mafiosa e a realização de maxiprocessos, com até 300 réus, para processar estruturas criminosas completas simultaneamente.
Durante a palestra, Polcini mencionou a fala do ministro da Justiça e Segurança Pública de El Salvador, Gustavo Villatoro, mas afirmou ser difícil comparar o combate ao crime na Europa com a América Central. O assessor defendeu que a atuação da Justiça deve ser pautada pelo ordenamento do estado democrático.


