A Justiça do Irã condenou duas mulheres à morte nesta segunda-feira (31) por participação em protestos contra o governo na cidade de Isfahan. As sentenças, informadas por grupos de direitos humanos, referem-se a manifestações ocorridas durante a mobilização nacional que atingiu o auge nos dias 8 e 9 de janeiro deste ano.
Taraneh Rahimi, de 20 anos, foi responsabilizada por incidentes em uma praça de Isfahan que resultaram na morte de duas pessoas, incluindo um agente de segurança. A irmã de Rahimi e outros réus no mesmo processo receberam penas de até 36 anos de prisão. A organização Human Rights Activists News Agency (HRANA) afirmou que os advogados não tiveram acesso a partes do processo nem tempo suficiente para revisar provas.
A segunda condenada é Leila Abolhasani, de 43 anos e mãe de dois filhos. Ela recebeu a pena máxima por incendiar uma loja, sob a acusação de “fazer guerra contra Deus”. Familiares declararam ao Observatório Jurídico Dadban e à HRANA que Abolhasani apenas filmava o estabelecimento em chamas. O caso foi encaminhado ao Supremo Tribunal do Irã para revisão.
As execuções ocorrem durante a guerra entre Irã e Estados Unidos, iniciada após ataques de Israel e EUA ao território iraniano em 28 de fevereiro. Segundo a ONG Iran Human Rights (IHR), sediada na Noruega, o governo já executou 29 homens por crimes relacionados aos protestos, mas nenhuma mulher havia sido executada por esse motivo até agora.
A onda de manifestações começou em 28 de dezembro de 2025, motivada pela desvalorização da moeda local frente ao dólar. Imagens confirmadas pela imprensa internacional registraram protestos em mais de 50 cidades. Em janeiro, a HRANA confirmou a morte de 5.848 pessoas, incluindo 209 agentes de segurança, e a detenção de 41.283 indivíduos.
As autoridades iranianas divulgaram balanço oficial na semana passada, informando 3.117 mortes. O governo atribuiu a maioria das vítimas a integrantes das forças de segurança ou civis mortos por manifestantes, classificados como vândalos.


