O Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS), em parceria com a organização Umane e outras 13 entidades, divulgou a Agenda Mais SUS 2027-2030. O documento apresenta dez propostas para os próximos governos federal e estaduais, focando em regulação de apostas online, controle de alimentos ultraprocessados e distribuição de profissionais de saúde.
Entre as medidas, os especialistas defendem a restrição da publicidade de jogos e apostas online, similar ao modelo aplicado ao tabaco. A proposta baseia-se em dados do terceiro Levantamento Nacional sobre Álcool e Drogas (Lenad), que classificou 11 milhões de brasileiros como jogadores de risco ou com jogo problemático. O custo anual estimado dessa condição é de R$ 38,8 bilhões, incidindo inclusive sobre o sistema público.
No ambiente escolar, as entidades pedem a criação de um marco nacional de regulação para restringir a venda e a publicidade de ultraprocessados. Segundo o relatório, 89% das crianças de 5 a 9 anos consomem esses alimentos regularmente. O documento cita estudo da revista The BMJ que liga tais produtos a 32 agravos de saúde, além de apontar que um em cada três adolescentes no Brasil apresenta excesso de peso.
A agenda também propõe condicionar o credenciamento de cursos de medicina e residências a critérios territoriais. Atualmente, o Brasil possui 2,8 médicos por mil habitantes, mas a concentração ocorre nas capitais, onde a taxa é de 6,1. Em contrapartida, 82% dos municípios do Norte e Nordeste não possuem um médico por mil habitantes no SUS.
Rebeca Freitas, diretora de relações institucionais do IEPS, afirmou que o sistema público atua sob pressão crescente. Para ela, o documento indica desde gargalos no transporte de pacientes até a publicidade de apostas em celulares de adolescentes, servindo como guia para a próxima gestão.
Paralelamente, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) publicou carta aberta sugerindo que o investimento público no SUS suba para 7% do Produto Interno Bruto (PIB). Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que as despesas totais de saúde no país somam 9,7% do PIB, mas apenas 4% referem-se a gastos do governo, enquanto 5,7% são despesas privadas.


