O presidente estadual do PL na Bahia, João Roma, candidato ao Senado na chapa de ACM Neto, adotou uma estratégia de campanha distante da imagem bolsonarista neste início de pleito. A postura gerou crise no diretório do partido, com candidatos a deputados reclamando de falta de verba e material para promover Flávio Bolsonaro.
Roma, que foi ministro da Cidadania na gestão de Jair Bolsonaro, abandonou o uso do verde e amarelo e de imagens com a cúpula do bolsonarismo em suas redes sociais. O candidato agora utiliza o azul, cor da campanha de ACM Neto. Na primeira peça publicitária de TV, Roma citou sua atuação em Brasília e ações sociais do ministério, mas não mencionou a família do ex-presidente.
A mudança ocorre enquanto ACM Neto, que disputa o governo do estado contra Jerônimo Rodrigues, evita a nacionalização do debate e descarta Flávio Bolsonaro em seu palanque no primeiro turno. O ex-prefeito de Salvador apoia Ronaldo Caiado para a Presidência. A estratégia de Roma teria sido traçada com o comando nacional do PL visando um possível apoio de Neto a Flávio em um eventual segundo turno.
Internamente, a decisão provocou um racha. O candidato à Câmara Giu Argôlo afirmou que aliados do bolsonarismo estão sendo boicotados na distribuição de verbas e que foi impedido de citar Bolsonaro em gravação para a TV. Há o temor entre os membros da sigla de que a moderação da imagem diminua a conquista de cadeiras legislativas na Bahia.
João Roma declarou que a diferença na abordagem entre 2022 e 2026 deve-se à natureza das candidaturas e que, por integrar a chapa de Neto, segue a identidade visual do grupo. Afirmou que o diretório local está investindo na campanha de Flávio e que produz materiais próprios enquanto aguarda os do PL nacional.
A tentativa de unificar a chapa ocorre em um cenário desafiador. Segundo pesquisa Quaest publicada na semana passada, Roma tem 7% das intenções de voto para o Senado, ficando atrás de Rui Costa, com 23%, e Jaques Wagner, com 17%. O candidato do PL aparece em empate técnico com Angelo Coronel, do Republicanos, que registra 5%.


