A diretoria do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), anunciou a implementação de medidas contra conflitos e intolerância nesta terça-feira (1º). A decisão ocorre uma semana após estudantes se agredirem no campus do Largo de São Francisco, no Centro do Rio, motivados por uma suposta manifestação nazista.
Entre as ações, a instituição distribuirá aos docentes um guia com protocolos de conduta para situações de extremismo e conflito. A diretora do IFCS, Mayra Goulart, afirmou que a medida visa estabelecer diálogos para evitar a escalada de violência e garantir a pluralidade no ambiente acadêmico. A professora também solicitou à Polícia Militar o reforço do policiamento e a ampliação do sistema de câmeras no entorno da unidade.
O episódio ocorreu na última terça-feira, quando Diego Costa da Silva Araújo, 27 anos, estudante de História, foi agredido por colegas. O grupo o acusou de fazer apologia ao nazismo por vestir uma camiseta da banda Death in June e usar um broche com uma suástica cortada. Diego negou ser nazista e relatou ter sido vítima de tentativa de homicídio ao ser espancado por dezenas de pessoas após deixar a sala de aula.
A versão é contestada por Deivid Lima, estudante de Direito, que afirmou ter sido alvo de insultos racistas e agressões iniciais por parte de Diego ao tentar conduzi-lo a uma delegacia. Uma carta assinada por mais de 100 professores e técnicos manifestou apoio a Deivid, aluno negro, e descreveu Diego como o agente provocador da confusão, repudiando a caracterização da reação dos estudantes como linchamento.
O caso é investigado por duas unidades da Polícia Civil. A 1ª DP apura as lesões corporais contra Diego, enquanto a Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) investiga denúncias de ameaça, injúria e preconceito de raça contra Deivid. A Polícia Civil informou que a tipificação inicial dos registros pode ser ajustada conforme o avanço das provas técnicas.
O Comando do 5º BPM informou que mantém contato com a direção da UFRJ para construir estratégias de segurança. A corporação afirmou que a região já conta com agentes do Programa Bairro Presente e da Patrulha Escolar, além de rondas nos acessos ao campus.


