Um júri do condado de Clark, em Nevada, condenou Duane Davis, de 63 anos, por organizar o assassinato do rapper Tupac Shakur em setembro de 1996. O ex-chefe da gangue South Side Compton Crips foi considerado culpado de homicídio em primeiro grau com uso de arma letal nesta terça-feira (1), em Las Vegas.
A condenação ocorreu após um julgamento de várias semanas que começou no dia 17 de agosto. Davis foi preso em 2023 e agora pode enfrentar prisão perpétua. A juíza Carli Kierny determinou que o réu permaneça detido sem fiança e agendou a sentença para o dia 13 de outubro. Em tribunal, o ex-líder de gangue afirmou que irá recorrer da decisão.
A investigação sobre a morte do artista, ocorrida aos 25 anos, foi retomada após Davis publicar o livro Compton Street Legend, em 2019. Na obra e em promoções, ele detalhou a participação dos Crips na morte de Shakur, que teria sido uma retaliação após o rapper e o cofundador da Death Row Records, Marion Knight, participarem da agressão ao sobrinho de Davis no hotel MGM Grand.
A promotoria apresentou depoimentos de mais de 20 testemunhas e gravações do crime, ocorrido quando um homem em um Cadillac branco disparou contra o carro de Shakur em um sinal vermelho. O rapper morreu seis dias após o atentado. O Ministério Público decidiu não prosseguir com a acusação de agravante por crime cometido em benefício de gangue, citando a logística de testemunhas.
A defesa de Davis, liderada pelo advogado Michael Sanft, argumentou que a acusação carecia de provas físicas que ligassem o cliente à cena do crime. Sanft alegou que as declarações no livro eram histórias para ganhar dinheiro e que a investigação foi comprometida pela corrupção no Departamento de Polícia de Compton.
O promotor Binu Palal rebateu afirmando que Davis admitiu sua responsabilidade por anos em documentários, livros e entrevistas no YouTube. O júri deliberou por menos de três horas antes de chegar ao veredicto. No tribunal, a irmã de Shakur, Sekyiwa Shakur, chorou após a leitura da sentença.


