A definição de quem responde juridicamente por eventuais falhas de inteligência artificial (IA) é um dos principais desafios regulatórios para a saúde, afirmou Gustavo Meirelles, vice-presidente médico e de Relações Institucionais da Afya. O executivo defendeu que o médico deve continuar no centro do atendimento para assumir a responsabilidade pelas decisões clínicas.
As declarações foram dadas durante o Afya Summit, realizado no dia 29 de agosto, no Auditório Ibirapuera, em São Paulo. Meirelles questionou se o dono da máquina assumiria a responsabilidade no momento de uma falha, reforçando a necessidade da supervisão profissional.
O executivo mencionou as One-Minute Clinics, cabines de atendimento que integram telemedicina e dispositivos de coleta de dados, como aferição de pressão arterial e frequência cardíaca. O modelo é popular na China e já possui empresas operando com essa tecnologia no Brasil, com previsão de maior expansão nos próximos anos.
A Afya já utiliza IA na formação de estudantes e em ferramentas como o Whitebook, plataforma de apoio à decisão clínica. No consultório, a tecnologia é usada para transcrever conversas entre médico e paciente e estruturar informações. Meirelles observou que a IA generativa alterou o comportamento dos pacientes, que agora chegam às consultas com diagnósticos e tratamentos pesquisados previamente.
Sobre o Sistema Único de Saúde (SUS), Meirelles afirmou que o sucesso de uma inovação deve ser medido pelo seu impacto no sistema público para evitar a “divisão digital”. Ele apontou que tratamentos com custos de milhões de reais pressionam o financiamento público, sugerindo parcerias onde o pagamento seja associado ao resultado do tratamento.
A formação médica também está sendo adaptada. Estudantes utilizam atores, manequins e avatares de IA para treinar a comunicação com pacientes, inclusive em situações de notícias difíceis. O evento em São Paulo reuniu pesquisadores e médicos para debater ética, interoperabilidade de dados e humanização do atendimento.

