A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) passou a monitorar a trajetória e as redes sociais do escritor Augusto Cury (Avante) após o candidato registrar crescimento na popularidade digital. A orientação interna é evitar ataques diretos para não conferir protagonismo ao adversário neste momento da corrida presidencial.
O índice de popularidade digital (IPD), medido pela Quaest, indica que Cury subiu de 37,8 para 54,5 pontos em uma semana. O salto ocorreu após a participação do escritor no primeiro debate presidencial, resultando em cerca de 2,5 milhões de novos seguidores no Instagram em poucas semanas.
Auxiliares de Flávio Bolsonaro classificam Cury como o “maior dos nanicos” e o mantêm em um segundo pelotão da disputa. A avaliação do PL é que a corrida segue polarizada entre o senador e o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva, principal alvo das ofensivas da campanha.
A equipe do senador realiza um levantamento para verificar se a expansão de audiência de Cury foi orgânica ou se houve uso de contas artificiais e compra de seguidores. Até agora, não foram apresentadas evidências de irregularidades.
O monitoramento inclui a análise de vínculos políticos do Avante, partido que apoiou Lula em 2022. A intenção é mapear informações que possam ser usadas para contestar a imagem de Cury como candidato independente da polarização, caso a estratégia de silêncio seja alterada.
Aliados de Flávio argumentam que a estrutura de militância menor e o tempo reduzido de propaganda eleitoral — 35 segundos por bloco no rádio e na TV — limitam a capacidade de Cury manter o ritmo. A decisão sobre mudar a postura depende dos resultados da nova rodada da Quaest, prevista para esta quarta-feira (2).


