A venda simultânea de dívidas soberanas nas principais economias do mundo elevou os custos de financiamento a patamares não vistos há décadas nesta terça-feira (1º). O movimento foi desencadeado pela escalada militar entre Estados Unidos e Irã no Estreito de Ormuz, que levou o petróleo Brent a superar US$ 92, e pela inflação de 3,3% na zona do euro.
O rendimento do título japonês de dez anos atingiu 3% pela primeira vez em 30 anos. No Reino Unido, o título de trinta anos alcançou a maior taxa desde 1998, enquanto o americano de dez anos atingiu o nível mais alto em vinte meses e o alemão de dez anos renovou a máxima de 52 semanas.
A probabilidade de o Federal Reserve elevar os juros na reunião de 15 e 16 de setembro subiu de menos de 40%, na semana passada, para mais de 66% nesta terça-feira. O Banco Central Europeu se reúne no dia 10, seguido pelo Banco da Inglaterra no dia 17 e pelo Banco do Japão entre os dias 17 e 18.
No Brasil, os juros de longo prazo também subiram, embora de forma contida. O PIB do segundo trimestre cresceu 0,5%, confirmando uma desaceleração que pode permitir ao Banco Central cortar a Selic. O Copom decide a taxa na mesma semana da reunião do Fed, o que pode colocar as duas instituições em direções opostas.
Economistas do Itaú BBA informaram que a taxa nominal de dois anos subiu em 2026 principalmente por causa da reprecificação da política monetária nos EUA. A sensibilidade da curva brasileira ao ambiente externo estaria no topo da faixa histórica, superando o efeito dos indicadores locais.
Investidores estrangeiros reduzem posições em títulos indexados à inflação (NTN-B) desde abril, segundo levantamento do JPMorgan. O banco aponta que a incerteza fiscal e eleitoral, somada à queda de compras de fundos de previdência e multimercados, contribui para a manutenção das taxas elevadas.
O BTG Pactual afirmou que o real apresenta a pior performance dos últimos três meses em relação a pares emergentes. O banco cita a saída de investidores da bolsa desde maio e a proximidade do calendário eleitoral como fatores que reduzem o suporte à moeda brasileira.

